CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações)

No último dia das sessões de gravação de “Efecto Vertigo”, tive a alegria de receber um amigo de longa data em estúdio: Cássio Nobre.

Cássio é responsável por muitas coisas que nortearam meu caminho musical durante todos esses anos. Começamos a trabalhar juntos na Dois Sapos e Meio, por volta de 97/98. Foi ele quem mais me incentivou quanto à importância do estudo e da pesquisa em música, que são fundamentais a quem quer se dedicar a esse ofício. Através dele, conheci diferentes ritmos,  músicas das mais variadas, e trabalhamos juntos em algumas ‘gigs’ também. No caso de Cássio, suas pesquisas se aprofundaram tanto, que ele se tornou etnomusicólogo.

Dele também recebi grande incentivo no campo das composições, naquela época, ele era uma das poucas pessoas a quem eu me atrevia a mostrar minhas músicas. E sempre fui muito bem recebido por ele nesse sentido, o que me deu muita confiança para os anos seguintes.

Em 2007, Cássio me convidou para gravar o seu primeiro disco solo, “Última Pele”, e em 2008, excursionamos pelo Nordeste com esse show. Solovera, que está gravando e produzindo o “Efecto Vertigo”, também trabalhou com Cássio em “Ultima Pele”.

Na gravação que fizemos ontem, ele tocou viola de 10 cordas em duas músicas, e a ideia era criarmos uma atmosfera que reforçasse a identidade latina dessas composições.

Com vocês, um trechinho da nossa última sessão de gravação:

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações)

Chegamos ao quinto dia de gravações do Efecto Vertigo (acho que não falei ainda, o álbum é instrumental). Um dia bastante puxado pra mim, pois tinha que gravar vários instrumentos; baixos elétricos, baixos acústicos, solos, violões, melodias.

Comecei por uma música que tem uma batida africana frenética, ainda com nome provisório. Uma música rítmica, que não segue os padrões de um tema convencional. Praticamente não há melodia, tentei experimentar algo diferente, um tema desenhado por uma linha de baixo elétrico, acompanhado por uma forte sessão percussiva. No meio fiz uma improvisação de baixo. Esse som era uma dúvida pra mim, se entraria ou não no disco, pelo seu caráter experimental. Hoje é uma das músicas que mais gosto.

Na sequencia parti para a gravação de baixo acústico de 3 músicas. Duas delas com solo de baixo. Baixo acústico é sempre um desafio, um instrumento de grande porte, sem trastes, que pelo menos pra mim, exige bastante fisicamente. Tiramos um bom som dos microfones e finalmente terminamos essa etapa, das mais importantes, nesse projeto.

Depois fiz mais alguns baixos elétricos, e em sequência, os violões. Dessa vez, utilizamos violões com cordas de nylon e de aço.

Missão cumprida, e quando anoiteceu, pedi a Solovera (engenheiro de som e produtor), que fizesse um solo em uma música. Se você tem Jorge Solovera produzindo seu disco, posso lhe garantir que é um pecado grande não convidá-lo a fazer um solo.Solove é um exímio guitarrista, altamente versátil, e domina muitas linguagens diferentes em seu instrumento.  Por sinal, um solo belíssimo em um dos temas (infelizmente não filmei, mas poderá ser conferido quando o disco sair). Obrigado Solovera!

Abaixo um vídeo desse dia.

 

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações) #2

Chegamos ao segundo dia de gravação.  Começamos o dia gravando o contrabaixo acústico da música “Efecto Vertigo”, que dá título ao disco e que foi a primeira música composta pensando nesse projeto. Uma salsa com uma série de elementos que incorporamos. A música parte de uma melodia simples que dá voltas para que possamos passear no ritmo, contrabaixo e percussão. Nessa sessão estávamos apenas eu e Jorge Solovera (engenheiro de gravação e produtor do álbum).

Utilizamos dois microfones para captar o som do baixo acústico. Um perto da “boca f” e outro mais perto do braço. Depois do baixo, passamos para os violões, da mesma música. Utilizei dois violões com cordas de aço, um para fazer as melodias, frases e dobras, e um outro para as bases. Depois gravei os violões de uma cúmbia. Essa música foi a última a ser composta no disco e surgiu a partir de uma conversa com Jorge Solovera, que ao ouvir os temas da pré-produção, sugeriu que seria ótimo se tivéssemos uma cúmbia no disco. Fiquei com aquilo na cabeça e compus o tema dirigindo pra casa. Pronto, agora tínhamos a cúmbia!

A próxima que gravei foi um bolero intitulado “Nocturna Canción”.  É a música mais antiga do disco. Originalmente tinha sido composta para os Retrofoguetes para as gravações do  “Chachachá” e o ritmo dela era outro. Apresentei ela a banda e todos gostaram, mas acabamos não tocando e a canção não entrou no disco. É um tema que me era recorrente, com uma melodia que eu gostava bastante. Sempre lembrava dessa música, achava que ela tinha um “quê” de especial. Então, encontrei uma oportunidade de encaixá-la no “Efecto Vertigo”. Depois de gravar os violões, gravei um baixo elétrico nela.

Finalizamos nosso segundo dia fechando três temas.