Efecto Vertigo – Nila Carneiro (Designer)

Para a capa do projeto, tive a sorte de ter a contribuição de uma artista que possui um trabalho belíssimo. Seu nome é Nila Carneiro. Conheci Nila atravez do meu amigo/cantor e gaitista Diego Orrico (trabalhamos juntos em seu projeto solo “Diego Orrico & The Blue Bullets”). Nila me impressiona por seu nível de sensibilidade, seus temas, cores, figuras (a figura feminina é bastante presente em sua obra) e texturas. Os caminhos que escolhemos para a capa do álbum se definiram rapidamente ainda na nossa primeira reunião e desde então, tudo acontece com total fluidez. Quando nossa capa ficar pronta, postarei por aqui.
É uma satisfação conhecer um talento como esse e ter a sua contribuição no projeto gráfico do disco. Anotem esse nome, porque em pouco tempo ela vai estar barbarizando por aí!  Alguns dos seus trabalhos podem ser vistos em seu site http://nilacarneiro.com.br/.
Abaixo, uma amostra dos trabalhos de Nila; uma ilustração, e um cartaz que ela fez para nossa temporada de Blues (Diego Orrico & The Blue Bullets).
Com vocês, Nila Carneiro:
Ilustração de Nila Carneiro. Em breve postaremos as imagens da capa de Efecto Vertigo.

Duas Visões do Contrabaixo

Tenho duas visões distintas do meu instrumento. Visões distintas que sempre se intercalam. Uma é a do instrumento de linhas horizontais melódicas que conduzem ou solam, dão cor, envolvem uma música. Um instrumento falante, tão falante como nossa língua. O outro é um instrumento mais ligado a terra, ao fogo e às raízes rítmicas. Esse é mais percussivo, pulsante como as batidas do coração, que atinge o chacra diretamente. Pra mim, nós baixistas somos seres anfíbios. Perambulamos na terra e na água. Rítmo e melodia. Harmonia também. Fazemos o elo da sessão rítmica de uma banda com a sessão melódico-hamônica. Conduzimos as dinâmicas e temos consciência de todo o resto, temos que estar conscientes do baterista ou percussionista, temos que estar conscientes dos instrumentos harmônicos. Fazemos um belo passeio na música.
Esse disco me dá uma sensação de amplitude nesse sentido. Ele me dá maior percepção do todo. Estou realmente gostando muito da experiência. E em se tratando de um disco que aborda a minha latinidade (no Brasil, nem sempre temos essa consciência; em linhas gerais, não procuramos conhecer a cultura dos países vizinhos da América Latina), tenho tido a oportunidade de aprofundar minha visão de mundo através da música.
O baixo que fala, o baixo que pulsa, amor e música, amor à música.

 

Efecto Vertigo – Mixagem

Chegamos ao processo de mixagem.
É nessa etapa, que trabalhamos toda uma gama de aspectos sonoros que estarão presentes em um disco. Obviamente, se você teve uma boa captação na fonte, com bons microfones, isso trará melhores resultados para sua mix. Temos uma infinidade de canais de áudio, com muitos instrumentos diferentes: Baixos, bongôs, congas, guiro, muitos violões (bases, melodias, solos), timbales, campanas, etc. É hora de combinar os sons, decidir sobre os volumes dos instrumentos, trabalhar as frequências e equalizar, dar um bom trato nos timbres, dinâmicas, adicionar alguns poucos efeitos que não estavam presentes na hora da captação (reverb, por exemplo).
Aqui, como também na etapa de gravação, tomamos algumas decisões estéticas; Queremos que o disco soe moderno? Queremos que tenha uma sonoridade mais vintage? É sempre bom ter referências do tipo de som que se quer chegar. Se você quer aquele som da década de sessenta, pesquise o tipo de equipamento usado em estúdio para aquela sessão de gravação, preste atenção nas opções estéticas adotadas na produção daquele álbum. Claro, os tempos são outros, os equipamentos são outros, os músicos são outros. Mas referência sempre pode ajudar, não é que você vá chegar exatamente àquele resultado, mas é uma direção.
Começamos a mix com a música que dá título ao disco “Efecto Vertigo”. Foi com essa música que eu descobri, ainda na fase de pré-produção, qual o tipo de som que nortearia alguns aspectos do disco. Na gravação somos eu fazendo cordas e Rudson Daniel fazendo as percussões. Dois caras e muitos instrumentos. Jorge Solovera comandando a sessão de mixagem, realizando a tal “alquimia do som”.