CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações)

Chegamos ao quinto dia de gravações do Efecto Vertigo (acho que não falei ainda, o álbum é instrumental). Um dia bastante puxado pra mim, pois tinha que gravar vários instrumentos; baixos elétricos, baixos acústicos, solos, violões, melodias.

Comecei por uma música que tem uma batida africana frenética, ainda com nome provisório. Uma música rítmica, que não segue os padrões de um tema convencional. Praticamente não há melodia, tentei experimentar algo diferente, um tema desenhado por uma linha de baixo elétrico, acompanhado por uma forte sessão percussiva. No meio fiz uma improvisação de baixo. Esse som era uma dúvida pra mim, se entraria ou não no disco, pelo seu caráter experimental. Hoje é uma das músicas que mais gosto.

Na sequencia parti para a gravação de baixo acústico de 3 músicas. Duas delas com solo de baixo. Baixo acústico é sempre um desafio, um instrumento de grande porte, sem trastes, que pelo menos pra mim, exige bastante fisicamente. Tiramos um bom som dos microfones e finalmente terminamos essa etapa, das mais importantes, nesse projeto.

Depois fiz mais alguns baixos elétricos, e em sequência, os violões. Dessa vez, utilizamos violões com cordas de nylon e de aço.

Missão cumprida, e quando anoiteceu, pedi a Solovera (engenheiro de som e produtor), que fizesse um solo em uma música. Se você tem Jorge Solovera produzindo seu disco, posso lhe garantir que é um pecado grande não convidá-lo a fazer um solo.Solove é um exímio guitarrista, altamente versátil, e domina muitas linguagens diferentes em seu instrumento.  Por sinal, um solo belíssimo em um dos temas (infelizmente não filmei, mas poderá ser conferido quando o disco sair). Obrigado Solovera!

Abaixo um vídeo desse dia.

 

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações) # 3

Esse post, como não poderia deixar de ser, será dedicado ao percussionista Rudson Daniel, meu parceiro nesse dueto baixo/percussão de “Efecto Vertigo”.

Nos dias 3 e 4 das gravações, nos concentramos nas percussões do disco. Muitos rítmos, algumas variações de fórmula de compasso em uma mesma música, mudanças repentinas de clave. Como comumente chamamos… A velha “pegadinha”. Posso garantir que “pegadinha” é só no nome, porque pra Rudson Daniel, esses detalhes são fichinha. O cara se saiu extraordinariamente bem em todos os temas, alguns desafiadores pra ele, por não estarem tão constantes (quanto ele gostaria) em sua rotina diária musical, mas nem por isso ele foi menos brilhante nessas gravações.

Decidimos travar esse diálogo fazendo algo que chamamos de “o desenrolar da percussão”, onde ela vai desenvolvendo e improvisando no decorrer da música. Não quisemos que houvesse qualquer travação nisso, a idéia era que o percussionista estivesse à vontade para improvisar durante as levadas de congas, bongôs e etc. Normalmente em cações pop, a coisa é um pouco mais presa e direcionada, com padrões rítmicos que se repetem com pouca ou nenhuma improvisação. Não é o nosso caso quando tratamos dessas percussões. Era desenrolar e improvisar… Obrigado Rudson, vc é foda!

Bom… Sem muitas delongas.

Com vocês, RUDSON DANIEL!

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações) #2

Chegamos ao segundo dia de gravação.  Começamos o dia gravando o contrabaixo acústico da música “Efecto Vertigo”, que dá título ao disco e que foi a primeira música composta pensando nesse projeto. Uma salsa com uma série de elementos que incorporamos. A música parte de uma melodia simples que dá voltas para que possamos passear no ritmo, contrabaixo e percussão. Nessa sessão estávamos apenas eu e Jorge Solovera (engenheiro de gravação e produtor do álbum).

Utilizamos dois microfones para captar o som do baixo acústico. Um perto da “boca f” e outro mais perto do braço. Depois do baixo, passamos para os violões, da mesma música. Utilizei dois violões com cordas de aço, um para fazer as melodias, frases e dobras, e um outro para as bases. Depois gravei os violões de uma cúmbia. Essa música foi a última a ser composta no disco e surgiu a partir de uma conversa com Jorge Solovera, que ao ouvir os temas da pré-produção, sugeriu que seria ótimo se tivéssemos uma cúmbia no disco. Fiquei com aquilo na cabeça e compus o tema dirigindo pra casa. Pronto, agora tínhamos a cúmbia!

A próxima que gravei foi um bolero intitulado “Nocturna Canción”.  É a música mais antiga do disco. Originalmente tinha sido composta para os Retrofoguetes para as gravações do  “Chachachá” e o ritmo dela era outro. Apresentei ela a banda e todos gostaram, mas acabamos não tocando e a canção não entrou no disco. É um tema que me era recorrente, com uma melodia que eu gostava bastante. Sempre lembrava dessa música, achava que ela tinha um “quê” de especial. Então, encontrei uma oportunidade de encaixá-la no “Efecto Vertigo”. Depois de gravar os violões, gravei um baixo elétrico nela.

Finalizamos nosso segundo dia fechando três temas.