Efecto Vertigo – Mixagem

Chegamos ao processo de mixagem.
É nessa etapa, que trabalhamos toda uma gama de aspectos sonoros que estarão presentes em um disco. Obviamente, se você teve uma boa captação na fonte, com bons microfones, isso trará melhores resultados para sua mix. Temos uma infinidade de canais de áudio, com muitos instrumentos diferentes: Baixos, bongôs, congas, guiro, muitos violões (bases, melodias, solos), timbales, campanas, etc. É hora de combinar os sons, decidir sobre os volumes dos instrumentos, trabalhar as frequências e equalizar, dar um bom trato nos timbres, dinâmicas, adicionar alguns poucos efeitos que não estavam presentes na hora da captação (reverb, por exemplo).
Aqui, como também na etapa de gravação, tomamos algumas decisões estéticas; Queremos que o disco soe moderno? Queremos que tenha uma sonoridade mais vintage? É sempre bom ter referências do tipo de som que se quer chegar. Se você quer aquele som da década de sessenta, pesquise o tipo de equipamento usado em estúdio para aquela sessão de gravação, preste atenção nas opções estéticas adotadas na produção daquele álbum. Claro, os tempos são outros, os equipamentos são outros, os músicos são outros. Mas referência sempre pode ajudar, não é que você vá chegar exatamente àquele resultado, mas é uma direção.
Começamos a mix com a música que dá título ao disco “Efecto Vertigo”. Foi com essa música que eu descobri, ainda na fase de pré-produção, qual o tipo de som que nortearia alguns aspectos do disco. Na gravação somos eu fazendo cordas e Rudson Daniel fazendo as percussões. Dois caras e muitos instrumentos. Jorge Solovera comandando a sessão de mixagem, realizando a tal “alquimia do som”.

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações)

No último dia das sessões de gravação de “Efecto Vertigo”, tive a alegria de receber um amigo de longa data em estúdio: Cássio Nobre.

Cássio é responsável por muitas coisas que nortearam meu caminho musical durante todos esses anos. Começamos a trabalhar juntos na Dois Sapos e Meio, por volta de 97/98. Foi ele quem mais me incentivou quanto à importância do estudo e da pesquisa em música, que são fundamentais a quem quer se dedicar a esse ofício. Através dele, conheci diferentes ritmos,  músicas das mais variadas, e trabalhamos juntos em algumas ‘gigs’ também. No caso de Cássio, suas pesquisas se aprofundaram tanto, que ele se tornou etnomusicólogo.

Dele também recebi grande incentivo no campo das composições, naquela época, ele era uma das poucas pessoas a quem eu me atrevia a mostrar minhas músicas. E sempre fui muito bem recebido por ele nesse sentido, o que me deu muita confiança para os anos seguintes.

Em 2007, Cássio me convidou para gravar o seu primeiro disco solo, “Última Pele”, e em 2008, excursionamos pelo Nordeste com esse show. Solovera, que está gravando e produzindo o “Efecto Vertigo”, também trabalhou com Cássio em “Ultima Pele”.

Na gravação que fizemos ontem, ele tocou viola de 10 cordas em duas músicas, e a ideia era criarmos uma atmosfera que reforçasse a identidade latina dessas composições.

Com vocês, um trechinho da nossa última sessão de gravação:

CH Straatmann – Efecto Vertigo (Gravações)

Chegamos ao quinto dia de gravações do Efecto Vertigo (acho que não falei ainda, o álbum é instrumental). Um dia bastante puxado pra mim, pois tinha que gravar vários instrumentos; baixos elétricos, baixos acústicos, solos, violões, melodias.

Comecei por uma música que tem uma batida africana frenética, ainda com nome provisório. Uma música rítmica, que não segue os padrões de um tema convencional. Praticamente não há melodia, tentei experimentar algo diferente, um tema desenhado por uma linha de baixo elétrico, acompanhado por uma forte sessão percussiva. No meio fiz uma improvisação de baixo. Esse som era uma dúvida pra mim, se entraria ou não no disco, pelo seu caráter experimental. Hoje é uma das músicas que mais gosto.

Na sequencia parti para a gravação de baixo acústico de 3 músicas. Duas delas com solo de baixo. Baixo acústico é sempre um desafio, um instrumento de grande porte, sem trastes, que pelo menos pra mim, exige bastante fisicamente. Tiramos um bom som dos microfones e finalmente terminamos essa etapa, das mais importantes, nesse projeto.

Depois fiz mais alguns baixos elétricos, e em sequência, os violões. Dessa vez, utilizamos violões com cordas de nylon e de aço.

Missão cumprida, e quando anoiteceu, pedi a Solovera (engenheiro de som e produtor), que fizesse um solo em uma música. Se você tem Jorge Solovera produzindo seu disco, posso lhe garantir que é um pecado grande não convidá-lo a fazer um solo.Solove é um exímio guitarrista, altamente versátil, e domina muitas linguagens diferentes em seu instrumento.  Por sinal, um solo belíssimo em um dos temas (infelizmente não filmei, mas poderá ser conferido quando o disco sair). Obrigado Solovera!

Abaixo um vídeo desse dia.